Friday, July 15, 2005

    Gramáticos x Linguistas

    De um lado, os gramáticos, de outro, os lingüistas. Entre eles a problemática: como ensinar gramática nas escolas. Cada um defende seus pontos de vistas e argumenta em prol de uma nova concepção de ensino referente à linguagem escrita. São propostas boas? Sim. Cada um deles têm seus méritos enquanto defensores de suas teses em favor do ensino da língua portuguesa. Porém, do modo como são feitas as discussões, fica mais parecendo uma disputa de egos e ideologias.
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    Os gramáticos, tradicionais e irredutíveis em sua maioria têm a opinião de que, para se produzir um texto de forma culta é preciso se basear nas regras da gramática tradicional(aquela...). Já os lingüistas defendem as idéias contrárias às dos gramáticos. Ou seja, enquanto os primeiros são ortodoxos a ponto de dizer que qualquer coisa fora da gramática é errada, os últimos dizem que quase tudo é certo, que na língua muitas coisas são válidas, como o sujeito produzir um texto do tipo: "Dei a ele três mil reais". em vez de: Dei-lhe três mil reais..
    Diria que os gramáticos seriam os Papas da Idade Média e os lingüistas os fiéis hereges contra a língua, sujeitos `a inquisição por suas idéias "contra" a gramática. Esses defendem uma nova maneira de ensino da(s) gramática(s) usando argumentos do tipo:. .."se pode falar e escrever numa língua sem saber nada sobre ela"(1). Aqueles taxam estes de transgressores da língua a ponto de dizer: "os delinqüentes da língua portuguesa fazem do princípio histórico "quem faz a língua é o povo"...(2).
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    Faço aqui essas observações sob o ponto de vista de um estudante de Letras. No momento, vou me restringir a esses dois pólos: papado e fiéis heréticos. De nada é válido nessas teorias calcadas de ideologias no papel. Nada muda se não se quebrarem essas barreiras ideológicas e disputas de egos entre as duas partes. Se não houver uma discussão integrada entre elas, quem vai sair perdendo é o povo, a nação falante do português brasileiro, nós.
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    Cabe a esses pensantes deixar as ideologias de lado e olhar o cerne da questão: a língua portuguesa, cujo falante precisa de um suporte para ter acesso `a norma padrão da língua. Isso só será possível se as duas partes reconhecerem o que aí está: ambas têm seus valores e que, se unidas por meio de uma longa discussão, um concílio da língua portuguesa (brasileira), o beneficiado será ela: a "última flor do Lácio, inculta e bela", nossa língua portuguesa. Ou brasileira?
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    (1)Apud- Possenti , Sírio Por que(não) ensinar gramática na escola. Campinas.Mercado das letras.1991-p.54.
    (2)Apud- Bagno, Marcos. Preconceito lingüístico- o que é e como se faz. Ed.Loyola, 1999.- p.79

    4 comments:

    Anonymous said...

    "No dia em que as escolas se dessem conta de que estão ensinando aos alunos o que eles já sabem, e que é em grande parte por isso que falta tempo para ensinar o que não sabem, poderia ocorrer uma verdadeira revolução." Boa discussão esta, não? Mas, tô terminando de ler o livro, ao qual por coincidência estava justamente fazendo a leitura deste quando me deparei com este texto aqui... Vou terminá-lo e depois posto a minha conclusão, ok.

    Vânia Oliveira said...

    "No dia em que as escolas se dessem conta de que estão ensinando aos alunos o que eles já sabem, e que é em grande parte por isso que falta tempo para ensinar o que não sabem, poderia ocorrer uma verdadeira revolução." Boa discussão esta, não? Mas, tô terminando de ler o livro, ao qual por coincidência estava justamente fazendo a leitura deste quando me deparei com este texto aqui... Vou terminá-lo e depois posto a minha conclusão, ok.

    luciana said...

    Minha maior preocupação a respeito da discussão entre gramáticos e linguistas, quem está ou não com a razão é unicamente o aluno X estudo, estudo X aluno, pois cada vez que se levanta a questão o alunado na minha opinião é colocado em uma situação transitória, porém sabemos o quanto é importante a gramática e também a linguística todas na medida certa.

    Anonymous said...

    A gramática nasceu da nobreza,enquanto a língua portuguesa brasileira,nasceu de uma variação vulgar do latim,com isso nem o Construtivismo,nem o Interacionísmo e nem o sóciointeracionismo resolveram os problemas de letramento,como os vistos nos exames de letramento da OCDE.Por tudo isso,o sistema brasileiro de ensino importou a ideia de avaliar por ciclos dos Pcns para diminuir a evasão e a repetência,porém sem nenhuma experiência prévia em território brasileiro,logo talvez sabendo disso os nossos governos,travam os investimentos em infraestrutura e qualificação de professores,todavia querem por a culpa nas normas gramaticais.Para mim é importante tanto o contexto verbal quanto o social,mutuamente,logo os gramáticos já avançaram quanto ao acordo ortográfico,contudo temos a liberdade de escolher adequadamente o que queremos,sobretudo sem preconceitos linguísticos nem gramaticais.